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julie & julia
assisti a este filme. vale a pena a vida é feita de sal, açúcar, e muito tempero. há os momentos feitos um prato feito, há os momentos elaborados como os pratos de um grande momento. aprecie
Escrito por Felicio às 21h28
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desemprego
agora um bom assunto: tô procurando emprego! você tem algo para mim? sou professor de filosofia e sociologia sou especialista em filosofia para crianças
Escrito por Felicio às 16h24
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o retorno
quase que não consigo nem chegar até ao editor do BLOG algumas pontes rolaram, muitas águas passaram e de vez em quando a vontade de retornasr ao blog se manifesta. então, vamos retornar antes que se complete dois anos sem escrita. 
esta é a Pollyanna - mais chic escrevendo assim - possivelmente alguém se achou no direito de mandar na vida dela. restou para nós um corpo estendido no chão e a saudade no coração
Escrito por Felicio às 01h04
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lembranças
"No princípio era o Verbo
e o Verbo estava com Deus
e o Verbo era Deus."
O Jesus que nasceu lá
nasceu também aqui.
Lá na manjedoura,
aqui na ponte.
A virgem concebeu, deu a luz,
um filho: Emanuel, deus conosco.
A mulher concebeu, deu a luz,
um filho: mais um brasileiro.
Para Ele não sobreviver
mataram as crianças de Belém,
Ele fugiu.
Para ele sobreviver
todos lutaram, trabalharam, migraram
ele vingou.
De sua infância e adolescência
pouco se sabe. Surgiu depois.
pregou a palavra,
foi pregado na cruz.
De sua infância e adolescência
pouco se sabe. Surgiu depois.
andou por todo lado,
sobreviveu!
"Porque para Deus nada é impossível.
Glória a Deus nas alturas,
paz na terra,
boa vontade para com os homens."
Escrito por Felicio às 18h43
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vale a pena ler e meditar
Folha de São Paulo,domingo 24 de fevereiro de 2008
Repressão e preconceito
FERREIRA GULLAR
Está tudo muito errado; escolheram reprimir os desejos mais genuínos em função das normas
VAMOS FALAR a verdade: a sociedade em que vivemos é pura repressão. Já foi pior, claro, muito pior. Houve tempo em que as mulheres não podiam mostrar nem o pé, quanto mais as coxas ou a barriguinha, como mostram hoje. Naquela época, os homens apenas imaginavam como seria o corpo da mulher com quem iam se casar. Hoje, podem vê-lo inteiro, da barriga às nádegas, com exceção talvez do púbis. Por que a repressão? Por mero preconceito, pelo propósito moralista que tomou conta da sociedade.
Não nascemos nus? Por que então temos de andar cobertos de roupas, que nos escondem o corpo? Disse que hoje as mulheres mostram quase tudo, mas isso na praia, porque, fora de lá, escondem quase tudo. Claro, não como antigamente, quando tinham que se cobrir de saias e mais saias, blusas e corpetes.
E os homens? Esses, coitados, tendo que imitar os hábitos europeus, sufocavam dentro de roupas pesadas, paletós e coletes. O calor insuportável terminou por obrigá-los a aliviar a vestimenta, mas, até hoje, homem que se respeita usa paletó e gravata. Às vezes, alguns tiram a gravata, mas dificilmente tiram o paletó, a camisa, as calças; a cueca, então, nem pensar. Por que não podemos andar nus como os índios? Não nascemos nus? Nos países frios, no inverno, admito, não dá para abandonar as roupas, mas, nos trópicos, as roupas são a expressão dos preconceitos morais e da repressão religiosa. Os únicos que se aventuram a ficar nus em pêlo são os nudistas, mas apenas em certas praias, e não por culpa deles; por culpa, sim, da hipocrisia social que obrigaria a polícia a prendê-los. Por que não se pode entrar nu num banco, já que obscenidades maiores são lá praticadas com permissão da lei?
A verdade é que a repressão está presente em todos os momentos de nossa vida. E de tal modo introjetou-se em nós que, quase automaticamente, vamos impondo-a sobre cada pessoa, mal começa a entender as coisas. Não pode pôr a mão na boca, o dedo no nariz, juntar a chupeta do chão e chupá-la, trepar na cadeira de balanço, aproximar-se do fogão, brincar com faca e tesoura, chupar bola de gude. Não pode nada, nada! Além disso, tem de obedecer aos mais velhos - mesmo os que tenham mais de 30 anos -, aturar as gaiatices dos irmãos, apanhar sem revidar etc. Em seguida, vem a fase escolar, que nos obriga a soletrar, decorar, aprender a ler, a escrever, a contar, a dividir, a multiplicar. Ou seja, o sujeitinho que nasce livre é transformado em outra pessoa, metido numa camisa-de-força, engessado, robotizado. E se se rebela, paga caro; conforme seja, cortam-lhe a mesada; se insiste, termina internado ou preso, vira bandido. E depois reclamam que o cara virou bandido! Se ele gosta de birita, maconha, cocaína, crack ou ecstasy, é problema dele. Mas não, pai, mãe, polícia, a sociedade inteira se volta contra ele. E depois ainda se tem o desplante de afirmar que vivemos numa democracia. Como democracia, se o cara tem que se sujeitar às imposições sociais? Por quê? Se o cara cheira, fica doidão e sai assaltando os caretas, é problema dele. O assaltado que se vire. Eu gostaria de saber por que esse preconceito contra quem gosta de drogas. Não tem gente que gosta de alpinismo, de asa-delta, de mascar chiclete, comer chocolate, malhar na academia? E então? Cada um nasce com suas manias e preferências, que devem ser respeitadas pelos demais, do contrário não se pode falar que vivemos numa sociedade que respeita os direitos dos cidadãos.
A verdade é que não respeita. Nem o poderia, uma vez que quase nunca as normas sociais coincidem com as necessidades e desejos das pessoas. Por exemplo, se o cara tem preferências sexuais, que escapam ao que se chama de normalidade, está sujeito, conforme o caso, a condenações judiciais ou até linchamento por parte dos fanáticos defensores daquelas normas. Se o sujeito nasceu pedófilo, por que sua preferência sexual é considerada crime? Por que punir alguém que apenas obedece a impulsos inatos que lhe são impostos pela natureza?
Está tudo muito errado. Por razões que ignoro - mas que refuto liminarmente -, os homens escolheram reprimir seus desejos mais genuínos e seu modo espontâneo de vida em função de normas, disciplina, valores que, como observou Nietzsche, só favorecem os fracos e covardes. Só esses necessitam de leis repressoras para compensar a natural superioridade dos fortes.
Agora, se alguém me pergunta se permito que defequem em minha sala e não no vaso do banheiro, respondo que devem fazê-lo no vaso. E que dêem a descarga, certo?
TAREFA!!!! Análise de texto.
1. Quais as idéias ou a idéia principal do texto?
2. Quais são os argumentos do autor em torno destas idéias ou desta idéia?
3. Que argumentos você tem para defender ou não as idéias deste texto.
4. De zero a dez, que nota você atribui ao texto? Justifique.
5. Pequena biografia do Autor.
Escrito por Felicio às 22h19
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sobre o ensino médio
Importante depoimento do professor Paulo Ghiraldelli Jr. sobre as chamadas disciplinas de humanidades no Ensino Médio
Escrito por Felicio às 14h03
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vale a reflexão
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São Paulo, quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 |
Dulce Critelli
Propósitos e liberdade
Desde que nascemos e a nossa vida começou, não há mais nenhum ponto zero possível. Não há como começar do nada. Talvez seja isso o que torna tão difícil cumprir propósitos de Ano Novo. E, a bem da verdade, o que dificulta realizar qualquer novo propósito, em qualquer tempo.
O passado é como argila que nos molda e a que estamos presos, embora chamados imperiosamente pelo futuro. Não escapamos do tempo, não escapamos da nossa história. Somos pressionados pela realidade e pelos desejos. Como pode o ser humano ser livre se ele está inexoravelmente premido por seus anseios e amarrado ao enredo de sua vida? Para muitos filósofos, é nesse conflito que está o problema da nossa liberdade.
Alguns tentam resolver esse dilema afirmando que a liberdade é a nossa capacidade de escolher, a que chamam livre-arbítrio. Liberdade se traduziria por ponderar e eleger entre o que quero e o que não quero ou entre o bem e o mal, por exemplo. Liberdade seria, portanto, sinônimo de decisão.
Prefiro a interpretação de outros pensadores que nos dizem que somos livres quando agimos. E agir é iniciar uma nova cadeia de acontecimentos, por mais atrelados que estejamos a uma ordem anterior. Liberdade é, então, começar o improvável e o impensável. É sobrepujar hábitos, crenças, determinações, medos, preconceitos. Ser livre é tomar a iniciativa de principiar novas possibilidades. Desamarrar.
Abrir novos tempos.
Nossa história e nosso passado não são nem cargas indesejadas, nem determinações. Sem eles, não teríamos de onde sair, nem para onde nos projetar. São heranças e pontos de orientação. Sem passado e sem história, quem seríamos? Mas não é porque não pudemos (fazer, falar, mudar, enfrentar...) que jamais poderemos. Nossa capacidade de dar um novo início para as mesmas coisas e situações é nosso poder original e está na raiz da nossa condição humana. É ela que dá à vida uma direção e um destino. Somos livres quando, ao agir, recomeçamos.
Somos livres sem querer.
Mesmo inconscientes e involuntários, nossos gestos e palavras sempre destinam nossas vidas para algum lugar. A função dos propósitos é transformar esse agir, que cria destinos, numa ação consciente e voluntária. Sua tarefa é a de romper com a casualidade aparente da vida e apagar a impressão de que uma mão dirige nossa existência.
Os propósitos nos devolvem a autoria da vida. Garantem nossa liberdade, mas, paradoxalmente, não podem garantir a sua própria realização. Coisas da liberdade, que pode nos destinar a novos propósitos.
DULCE CRITELLI, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP, é autora de "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia - Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana
dulcecritelli@existentia.com.br
Escrito por Felicio às 04h13
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visitas
3000 visitantes, leitores, comentadores, passantes etc. Muito obrigado
Escrito por Felicio às 05h45
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poetando 2
dia 28 de janeiro de 2008 início das aulas. abraços a você colega, abraços a você aluno abraços a você escola abraços a todas as pessoas da escola!
COISAS-ENSINANTES-PENSANTES
aos professores
O circo está montado:
salas - horários
professores - alunos
matérias - livros
aulas - provas
coisas e mais coisas
alunos e professores
matemáticas e operações
línguas e escritos
histórias e fatos
geografias e espaços
coisas e mais coisas
alunos e professores
pais e filhos
governos e povos
ensinar e aprender
falar e silenciar
coisas e mais coisas
professores e alunos
isso é aula-professor-ensino-aluno
tudo coisa
resultado:
mundo não muda
mudo não fala
surdo não ouve
não se anda
não se mexe
coisas e mais coisas
professores e alunos
professor VINGUE-SE
esqueça seu rótulo
seu livro
seu saber
seu aluno
professor VINGUE-SE
viva como pessoa
com a pessoa-aluno
a pessoa-estudo
a pessoa-vida
FIM do coisa aluno
do coisa professor
início: pessoas aprendendo
ensinando
fazendo
vivendo
e o mundo mudando.
Escrito por Felicio às 06h33
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poetando
dia 28 de janeiro de 2008 início das aulas. abraços a você colega, abraços a você aluno abraços a você escola abraços a todas as pessoas da escola!
ALUNOS
A MACUNAÍMA O herói brasileiro
entram em sala falantes
em pé permanecem
sentados sentam-se
espreitam motivando-se
qual maestro o mestre inicia
"vamos à aula"
qual robôs são acionados
uns, olho vivo
ouvido aguçado
mente!?
uns, olho pela metade
ouvido encerado
mente?!
uns, olho no papel
ouvido distante
mente!!
uns, cabeça curva
ouvido surdo
mente??
uns, olho no futuro
ouvido no salário
mente!?
"até a próxima aula"
sirene
em pé-pé
sentados-sentam
cabeças encostam
dormem.
viram massa
mente??!!
minto - mentes
mente - mentem
Escrito por Felicio às 06h06
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aulas
conheça os trabalhos da Professora Célia. Vale a pena
Escrito por Felicio às 21h24
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lembrar a Elis
saudações querida Elis
Escrito por Felicio às 21h53
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um exemplo!
No ano de 2007 a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo realizou um concurso para provimento de cargos de Professor, entre outros concursos.
Uma das matérias oferecidas foi Filosofia. Prestei, como muitos, passei, como muitos. Analisando a situação de cada escola e a grade escolar criaram-se os cargos. Esse cargos foram oferecidos. Em final de outubro as cadeiras foram escolhidas. Até aqui tudo normal.
Fomos nomeados. Alguns dias depois da nomeação, dois meses depois da escolha, no final do ano a Secretaria da Educação divulga nova Grade Curricular diferente daquela em vigor. Consequência: as quantidades de aulas das matérias ficaram diferentes. Portanto o número de aulas para os professores ficou diferente daquele da escolha.
Exemplo concreto do caso de Filosofia. Na grade anterior havia Filosofia nas três séries do Ensino Médio e na nova grade retirou-se a matéria do terceiro ano. Conclusão: queda no número de aulas, possibilidade de professores efetivos ficarem sem aulas, necessidade imediata de muitos professores buscarem aulas para completar a sua jornada. No meu caso, pesquisei as vagas, comparei as escolas, número de aulas, períodos, etc e escolhi a EE "Profa Judith Ferrão Legaspe" aqui em Araras. Nesta escola foram oferecidas duas cadeiras para uma jornada inicial de vinte aulas cada. Ao tomar posse a surpresa: com a mudança na grade as possíveis quarenta aulas se transformaram em vinte e oito. Ou seja, se primeiro fosse modificada a grade não haveria nesta escola duas cadeiras e sim uma.
Independente de qual grade é a melhor, se essa ou a anterior o que se nota é a mais absoluta falta de planejamento da Secretaria da Educação nesse processo. Imagine se na sua firma, na sua casa você contrataria funcionários para depois definir a necessidade dos mesmos. É isso que o Estado faz com o seu, o nosso dinheiro, afinal, é público mesmo!!!
Escrito por Felicio às 06h20
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Guga: o bom
"Tu sabes que para mim serás eterno"
LARRI PASSOS ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO 16/01/2008
Guga é gigante. Guga é União, Garra. E Alegria. Parece que foi ontem. Aquele garotinho mirrado, desengonçado, chegando para treinar. Seu pescoço ia para qualquer lugar, menos acompanhar a bola. Mas o contato da raquete na bola era perfeito. O primeiro avião que passava no céu ele olhava. Mas sua mente estava sempre na quadra. Êta moleque desligado. Por que escolher o Guga? O Guga tinha coração. E coração com coração só pode dar emoção e conquistas. Conquistas que jamais serão esquecidas. Hoje é um momento de pura emoção. Nunca pensei que ia passar por esse dia. Lágrimas se misturam com alegria e tristeza. Imagine você aqui no meu lugar. Lágrimas e lágrimas. E eu que dizia para minha mãe: ""Não chore de tristeza, chore de alegria". Chorarei de alegria por ter sido parte da vida dele. Para hoje, um pedido especial: quando falar do Guga, fale de amor, alegria, coração, dignidade, simplicidade. Não cuspa as palavras. Pense nele, espere 30 segundos: só virão lembranças boas. Se não vier nada, fique em silêncio: não merece falar dele. Guga, tu sabes que para mim tu serás eterno. Que Deus te ilumine.
LARRI PASSOS, 50, é técnico de Guga
Guga, uma pessoa a ser conhecida! uma raquete a ser respeitada um exemplo OBRIGADO!
Escrito por Felicio às 20h43
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uma segunda
MANOEL DE BARROS
Sou um sujeito cheio de recantos. Os desvãos me constam. Tem hora leio avencas. Tem hora, Proust. Ouço aves e beethovens. Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin. O dia vai morrer aberto em mim.
Mundo Pequeno
(do livro "O Livro das Ignorãças")
O mundo meu é pequeno, Senhor. Tem um rio e um pouco de árvores. Nossa casa foi feita de costas para o rio. Formigas recortam roseiras da avó. Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas. Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves. Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os besouros pensam que estão no incêndio. Quando o rio está começando um peixe, Ele me coisa Ele me rã Ele me árvore. De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos.
Conheço de palma os dementes de rio. Fui amigo do Bugre Felisdônio, de Ignácio Rayzama e de Rogaciano. Todos catavam pregos na beira do rio para enfiar no horizonte. Um dia encontrei Felisdônio comendo papel nas ruas de Corumbá. Me disse que as coisas que não existem são mais bonitas.
Caçador, nos barrancos, de rãs entardecidas, Sombra-Boa entardece. Caminha sobre estratos de um mar extinto. Caminha sobre as conchas dos caracóis da terra. Certa vez encontrou uma voz sem boca. Era uma voz pequena e azul. Não tinha boca mesmo. "Sonora voz de uma concha", ele disse. Sombra-Boa ainda ouve nestes lugares conversamentos de gaivotas. E passam navios caranguejeiros por ele, carregados de lodo. Sombra-Boa tem hora que entra em pura decomposição lírica: "Aromas de tomilhos dementam cigarras." Conversava em Guató, em Português, e em Pássaro. Me disse em Língua-pássaro: "Anhumas premunem mulheres grávidas, 3 dias antes do inturgescer". Sombra-Boa ainda fala de suas descobertas: "Borboletas de franjas amarelas são fascinadas por dejectos." Foi sempre um ente abençoado a garças. Nascera engrandecido de nadezas.
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas. Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito. Eu pensava que fosse um sujeito escaleno. - Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse. Ele fez um limpamento em meus receios. O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas... E se riu. Você não é de bugre? - ele continuou. Que sim, eu respondi. Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas - Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros. Há que apenas saber errar bem o seu idioma. Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de gramática.
Toda vez que encontro uma parede ela me entrega às suas lesmas. Não sei se isso é uma repetição de mim ou das lesmas. Não sei se isso é uma repetição das paredes ou de mim. Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes? Parece que lesma só é uma divulgação de mim. Penso que dentro de minha casca não tem um bicho: Tem um silêncio feroz. Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.
A namorada
Havia um muro alto entre nossas casas. Difícil de mandar recado para ela. Não havia e-mail. O pai era uma onça. A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por um cordão E pinchava a pedra no quintal da casa dela. Se a namorada respondesse pela mesma pedra Era uma glória! Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira E então era agonia. No tempo do onça era assim.
Bosco Martins (jornalista) – Tem uma frase de um ator que nunca me saiu da cabeça. Dizia que Deus fez tudo bom, só cometendo um erro: a duração da vida. A vida é muito curta e deveria ser não infinita, pois seria muito chata, mas pelo menos o dobro. Duas vidas, uma para ensaiar e outra pra representar. Você concorda com isso?
Manoel de Barros – Concordo sim. E até proponho uma solução científica. Seja esta: O Tempo só anda de ida. A gente nasce, cresce, envelhece e morre. Pra não morrer É só amarrar o Tempo no Poste. Eis a ciência da poesia: Amarrar o Tempo no Poste! E respondendo mais: dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste.
Escrito por Felicio às 10h08
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