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Blog do Felicio


lembranças

PARALELAS

 

                                  "No princípio era o Verbo

                                                                                  e o Verbo estava com Deus

                                                                                  e o Verbo era Deus."

 

                        O Jesus que nasceu lá

                      nasceu também aqui.

 

                                   Lá na manjedoura,

                                   aqui na ponte.

 

                                               A virgem concebeu, deu a luz,

                                               um filho: Emanuel, deus conosco.

                                               A mulher concebeu, deu a luz,

                                               um filho: mais um brasileiro.

 

                                   Para Ele não sobreviver

                                   mataram as crianças de Belém,

                                   Ele fugiu.

                                   Para ele sobreviver

                                   todos lutaram, trabalharam, migraram

                                   ele vingou.

 

                                               De sua infância e adolescência

                                               pouco se sabe. Surgiu depois.

                                               pregou a palavra,

                                               foi pregado na cruz.

                                               De sua infância e adolescência

                                               pouco se sabe. Surgiu depois.

                                               andou por todo lado,

                                               sobreviveu!

 

 

                                                                                  "Porque para Deus nada é impossível.

                                                                                   Glória a Deus nas alturas,

                                                                                   paz na terra,

                                                                                   boa vontade para com os homens."



Escrito por Felicio às 18h43
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vale a pena ler e meditar

Folha de São Paulo,domingo 24 de fevereiro de 2008

 

Repressão e preconceito

FERREIRA GULLAR

 

Está tudo muito errado; escolheram reprimir os desejos mais genuínos em função das normas

 

VAMOS FALAR a verdade: a sociedade em que vivemos é pura repressão. Já foi pior, claro, muito pior. Houve tempo em que as mulheres não podiam mostrar nem o pé, quanto mais as coxas ou a barriguinha, como mostram hoje. Naquela época, os homens apenas imaginavam como seria o corpo da mulher com quem iam se casar. Hoje, podem vê-lo inteiro, da barriga às nádegas, com exceção talvez do púbis. Por que a repressão? Por mero preconceito, pelo propósito moralista que tomou conta da sociedade.

Não nascemos nus? Por que então temos de andar cobertos de roupas, que nos escondem o corpo? Disse que hoje as mulheres mostram quase tudo, mas isso na praia, porque, fora de lá, escondem quase tudo. Claro, não como antigamente, quando tinham que se cobrir de saias e mais saias, blusas e corpetes.

E os homens? Esses, coitados, tendo que imitar os hábitos europeus, sufocavam dentro de roupas pesadas, paletós e coletes. O calor insuportável terminou por obrigá-los a aliviar a vestimenta, mas, até hoje, homem que se respeita usa paletó e gravata. Às vezes, alguns tiram a gravata, mas dificilmente tiram o paletó, a camisa, as calças; a cueca, então, nem pensar. Por que não podemos andar nus como os índios? Não nascemos nus? Nos países frios, no inverno, admito, não dá para abandonar as roupas, mas, nos trópicos, as roupas são a expressão dos preconceitos morais e da repressão religiosa. Os únicos que se aventuram a ficar nus em pêlo são os nudistas, mas apenas em certas praias, e não por culpa deles; por culpa, sim, da hipocrisia social que obrigaria a polícia a prendê-los. Por que não se pode entrar nu num banco, já que obscenidades maiores são lá praticadas com permissão da lei?

A verdade é que a repressão está presente em todos os momentos de nossa vida. E de tal modo introjetou-se em nós que, quase automaticamente, vamos impondo-a sobre cada pessoa, mal começa a entender as coisas. Não pode pôr a mão na boca, o dedo no nariz, juntar a chupeta do chão e chupá-la, trepar na cadeira de balanço, aproximar-se do fogão, brincar com faca e tesoura, chupar bola de gude. Não pode nada, nada! Além disso, tem de obedecer aos mais velhos - mesmo os que tenham mais de 30 anos -, aturar as gaiatices dos irmãos, apanhar sem revidar etc. Em seguida, vem a fase escolar, que nos obriga a soletrar, decorar, aprender a ler, a escrever, a contar, a dividir, a multiplicar. Ou seja, o sujeitinho que nasce livre é transformado em outra pessoa, metido numa camisa-de-força, engessado, robotizado. E se se rebela, paga caro; conforme seja, cortam-lhe a mesada; se insiste, termina internado ou preso, vira bandido. E depois reclamam que o cara virou bandido! Se ele gosta de birita, maconha, cocaína, crack ou ecstasy, é problema dele. Mas não, pai, mãe, polícia, a sociedade inteira se volta contra ele. E depois ainda se tem o desplante de afirmar que vivemos numa democracia. Como democracia, se o cara tem que se sujeitar às imposições sociais? Por quê? Se o cara cheira, fica doidão e sai assaltando os caretas, é problema dele. O assaltado que se vire. Eu gostaria de saber por que esse preconceito contra quem gosta de drogas. Não tem gente que gosta de alpinismo, de asa-delta, de mascar chiclete, comer chocolate, malhar na academia? E então? Cada um nasce com suas manias e preferências, que devem ser respeitadas pelos demais, do contrário não se pode falar que vivemos numa sociedade que respeita os direitos dos cidadãos.

A verdade é que não respeita. Nem o poderia, uma vez que quase nunca as normas sociais coincidem com as necessidades e desejos das pessoas. Por exemplo, se o cara tem preferências sexuais, que escapam ao que se chama de normalidade, está sujeito, conforme o caso, a condenações judiciais ou até linchamento por parte dos fanáticos defensores daquelas normas. Se o sujeito nasceu pedófilo, por que sua preferência sexual é considerada crime? Por que punir alguém que apenas obedece a impulsos inatos que lhe são impostos pela natureza?

Está tudo muito errado. Por razões que ignoro - mas que refuto liminarmente -, os homens escolheram reprimir seus desejos mais genuínos e seu modo espontâneo de vida em função de normas, disciplina, valores que, como observou Nietzsche, só favorecem os fracos e covardes. Só esses necessitam de leis repressoras para compensar a natural superioridade dos fortes.

Agora, se alguém me pergunta se permito que defequem em minha sala e não no vaso do banheiro, respondo que devem fazê-lo no vaso. E que dêem a descarga, certo?

 

TAREFA!!!!  Análise de texto.

1.      Quais as idéias ou a idéia principal do texto?

2.      Quais são os argumentos do autor em torno destas idéias ou desta idéia?

3.      Que argumentos você tem para defender ou não as idéias deste texto.

4.      De zero a dez, que nota você atribui ao texto? Justifique.

5.      Pequena biografia do Autor.



Escrito por Felicio às 22h19
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sobre o ensino médio

 Importante depoimento do professor Paulo Ghiraldelli Jr. sobre as chamadas disciplinas de humanidades no Ensino Médio

  



Escrito por Felicio às 14h03
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vale a reflexão

São Paulo, quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

 

Dulce Critelli

 

Propósitos e liberdade

Desde que nascemos e a nossa vida começou, não há mais nenhum ponto zero possível. Não há como começar do nada. Talvez seja isso o que torna tão difícil cumprir propósitos de Ano Novo. E, a bem da verdade, o que dificulta realizar qualquer novo propósito, em qualquer tempo.

O passado é como argila que nos molda e a que estamos presos, embora chamados imperiosamente pelo futuro. Não escapamos do tempo, não escapamos da nossa história. Somos pressionados pela realidade e pelos desejos. Como pode o ser humano ser livre se ele está inexoravelmente premido por seus anseios e amarrado ao enredo de sua vida? Para muitos filósofos, é nesse conflito que está o problema da nossa liberdade.

Alguns tentam resolver esse dilema afirmando que a liberdade é a nossa capacidade de escolher, a que chamam livre-arbítrio. Liberdade se traduziria por ponderar e eleger entre o que quero e o que não quero ou entre o bem e o mal, por exemplo. Liberdade seria, portanto, sinônimo de decisão.

Prefiro a interpretação de outros pensadores que nos dizem que somos livres quando agimos. E agir é iniciar uma nova cadeia de acontecimentos, por mais atrelados que estejamos a uma ordem anterior. Liberdade é, então, começar o improvável e o impensável. É sobrepujar hábitos, crenças, determinações, medos, preconceitos. Ser livre é tomar a iniciativa de principiar novas possibilidades. Desamarrar.

Abrir novos tempos.

Nossa história e nosso passado não são nem cargas indesejadas, nem determinações. Sem eles, não teríamos de onde sair, nem para onde nos projetar. São heranças e pontos de orientação. Sem passado e sem história, quem seríamos? Mas não é porque não pudemos (fazer, falar, mudar, enfrentar...) que jamais poderemos. Nossa capacidade de dar um novo início para as mesmas coisas e situações é nosso poder original e está na raiz da nossa condição humana. É ela que dá à vida uma direção e um destino. Somos livres quando, ao agir, recomeçamos.

Somos livres sem querer.

Mesmo inconscientes e involuntários, nossos gestos e palavras sempre destinam nossas vidas para algum lugar. A função dos propósitos é transformar esse agir, que cria destinos, numa ação consciente e voluntária. Sua tarefa é a de romper com a casualidade aparente da vida e apagar a impressão de que uma mão dirige nossa existência.

Os propósitos nos devolvem a autoria da vida. Garantem nossa liberdade, mas, paradoxalmente, não podem garantir a sua própria realização. Coisas da liberdade, que pode nos destinar a novos propósitos.


DULCE CRITELLI, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP, é autora de "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia - Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana

dulcecritelli@existentia.com.br

 



Escrito por Felicio às 04h13
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visitas

3000 visitantes,
leitores, comentadores, passantes
etc.
Muito obrigado


Escrito por Felicio às 05h45
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poetando 2

dia 28 de janeiro de 2008 início das aulas.
abraços a você colega, abraços a você aluno
abraços a você escola
abraços a todas as pessoas da escola!

COISAS-ENSINANTES-PENSANTES

 

 aos professores

 

 O circo está  montado:

     salas - horários

     professores - alunos

     matérias - livros

     aulas - provas

  coisas e mais coisas

  alunos e professores

       matemáticas e operações

       línguas e escritos

       histórias e fatos

       geografias e espaços

coisas e mais coisas

alunos e professores

   pais e filhos

   governos e povos

   ensinar e aprender

   falar e silenciar

coisas e mais coisas

professores e alunos

isso é aula-professor-ensino-aluno

tudo coisa

   resultado:

 mundo não muda

 mudo não fala

 surdo não ouve

 não se anda

 não se mexe

  coisas e mais coisas

  professores e alunos


professor VINGUE-SE

esqueça seu rótulo

seu livro

seu saber

seu aluno

professor VINGUE-SE

viva como pessoa

com a pessoa-aluno

a pessoa-estudo

a pessoa-vida

FIM do coisa aluno

    do coisa professor

         início: pessoas aprendendo

                               ensinando

                               fazendo

                               vivendo

       e o mundo mudando.



Escrito por Felicio às 06h33
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poetando

dia 28 de janeiro de 2008 início das aulas.
abraços a você colega, abraços a você aluno
abraços a você escola
abraços a todas as pessoas da escola!

ALUNOS

 A MACUNAÍMA      O herói brasileiro

 

entram em sala falantes

em pé permanecem

sentados sentam-se

espreitam motivando-se

 

    qual maestro o mestre inicia

    "vamos à aula"

    qual robôs são acionados

                uns, olho vivo

                           ouvido aguçado

                           mente!?

                uns, olho pela metade

                           ouvido encerado

                           mente?!

                uns, olho no papel

                           ouvido distante

                           mente!!

                uns, cabeça curva

                           ouvido surdo

                           mente??

                uns, olho no futuro

                           ouvido no salário

                           mente!?

                "até a próxima aula"

    sirene

    em pé-pé

    sentados-sentam

    cabeças encostam

    dormem.

                viram massa

                mente??!!

                minto - mentes

                mente - mentem



Escrito por Felicio às 06h06
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aulas

conheça os trabalhos da Professora Célia. Vale a pena



Escrito por Felicio às 21h24
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lembrar a Elis

saudações querida Elis

 

 



 



Escrito por Felicio às 21h53
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um exemplo!

          No ano de 2007 a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo realizou um concurso para provimento de cargos de Professor, entre outros concursos.

          Uma das matérias oferecidas foi Filosofia. Prestei, como muitos, passei, como muitos. Analisando a situação de cada escola e a grade escolar criaram-se os cargos. Esse cargos foram oferecidos. Em final de outubro as cadeiras foram escolhidas. Até aqui tudo normal.

          Fomos nomeados. Alguns dias depois da nomeação, dois meses depois da escolha, no final do ano a Secretaria da Educação divulga nova Grade Curricular diferente daquela em vigor. Consequência: as quantidades de aulas das matérias ficaram diferentes. Portanto o número de aulas para os professores ficou diferente daquele da escolha.

          Exemplo concreto do caso de Filosofia. Na grade anterior havia Filosofia nas três séries do Ensino Médio e na nova grade retirou-se a matéria do terceiro ano. Conclusão: queda no número de aulas, possibilidade de professores efetivos ficarem sem aulas, necessidade imediata de muitos professores buscarem aulas para completar a sua jornada. No meu caso, pesquisei as vagas, comparei as escolas, número de aulas, períodos, etc e escolhi a EE "Profa Judith Ferrão Legaspe" aqui em Araras. Nesta escola foram oferecidas duas cadeiras para uma jornada inicial de vinte aulas cada. Ao tomar posse a surpresa: com a mudança na grade as possíveis quarenta aulas se transformaram em vinte e oito. Ou seja, se primeiro fosse modificada a grade não haveria nesta escola duas cadeiras e sim uma.

          Independente de qual grade é a melhor, se essa ou a anterior o que se nota é a mais absoluta falta de planejamento da Secretaria da Educação nesse processo. Imagine se na sua firma, na sua casa você contrataria funcionários para depois definir a necessidade dos mesmos. É isso que o Estado faz com o seu, o nosso dinheiro, afinal, é público mesmo!!!



Escrito por Felicio às 06h20
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Guga: o bom

"Tu sabes que para mim serás eterno"

LARRI PASSOS
ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO 16/01/2008 

Guga é gigante. Guga é União, Garra. E Alegria. Parece que foi ontem. Aquele garotinho mirrado, desengonçado, chegando para treinar. Seu pescoço ia para qualquer lugar, menos acompanhar a bola. Mas o contato da raquete na bola era perfeito. O primeiro avião que passava no céu ele olhava.
Mas sua mente estava sempre na quadra. Êta moleque desligado. Por que escolher o Guga? O Guga tinha coração.
E coração com coração só pode dar emoção e conquistas. Conquistas que jamais serão esquecidas. Hoje é um momento de pura emoção. Nunca pensei que ia passar por esse dia. Lágrimas se misturam com alegria e tristeza.
Imagine você aqui no meu lugar. Lágrimas e lágrimas. E eu que dizia para minha mãe: ""Não chore de tristeza, chore de alegria". Chorarei de alegria por ter sido parte da vida dele.
Para hoje, um pedido especial: quando falar do Guga, fale de amor, alegria, coração, dignidade, simplicidade. Não cuspa as palavras. Pense nele, espere 30 segundos: só virão lembranças boas. Se não vier nada, fique em silêncio: não merece falar dele. Guga, tu sabes que para mim tu serás eterno. Que Deus te ilumine.


LARRI PASSOS, 50, é técnico de Guga

Guga, uma pessoa a ser conhecida!
uma raquete a ser respeitada
um exemplo
OBRIGADO!



Escrito por Felicio às 20h43
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uma segunda

MANOEL DE BARROS

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.  
O dia vai morrer aberto em mim.

 

 

Mundo Pequeno 

(do livro  "O Livro das Ignorãças")

O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.

Conheço de palma os dementes de rio.
Fui amigo do Bugre Felisdônio, de Ignácio Rayzama
e de Rogaciano.
Todos catavam pregos na beira do rio para enfiar
no horizonte.
Um dia encontrei Felisdônio comendo papel nas ruas
de Corumbá.
Me disse que as coisas que não existem são mais
bonitas.

Caçador, nos barrancos, de rãs entardecidas,
Sombra-Boa entardece. Caminha sobre estratos
de um mar extinto. Caminha sobre as conchas
dos caracóis da terra. Certa vez encontrou uma
voz sem boca. Era uma voz pequena e azul. Não
tinha boca mesmo. "Sonora voz de uma concha",
ele disse. Sombra-Boa ainda ouve nestes lugares
conversamentos de gaivotas. E passam navios
caranguejeiros por ele, carregados de lodo.
Sombra-Boa tem hora que entra em pura
decomposição lírica: "Aromas de tomilhos dementam
cigarras." Conversava em Guató, em Português, e em
Pássaro.
Me disse em Língua-pássaro: "Anhumas premunem
mulheres grávidas, 3 dias antes do inturgescer".
Sombra-Boa ainda fala de suas descobertas:
"Borboletas de franjas amarelas são fascinadas
por dejectos." Foi sempre um ente abençoado a
garças. Nascera engrandecido de nadezas.

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.

Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das
lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou
de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.

 

 

A namorada


Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

 

 

Bosco Martins (jornalista) – Tem uma frase de um ator que nunca me saiu da cabeça. Dizia que Deus fez tudo bom, só cometendo um erro: a duração da vida. A vida é muito curta e deveria ser não infinita, pois seria muito chata, mas pelo menos o dobro. Duas vidas, uma para ensaiar e outra pra representar. Você concorda com isso?

Manoel de Barros – Concordo sim. E até proponho uma solução científica. Seja esta:
O Tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce, envelhece e morre.
Pra não morrer
É só amarrar o Tempo no Poste.
Eis a ciência da poesia:
Amarrar o Tempo no Poste!
E respondendo mais: dia que a gente estiver com tédio de viver é só desamarrar o Tempo do Poste.

 

 



Escrito por Felicio às 10h08
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CORA CORALINA

"Versos... não Poesia... não um modo diferente de contar velhas histórias" (Poema Ressalva, extraído do livro Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais.)

 

            Voz viva da cidade de Goiás, personagem e símbolo da tradição da vida interiorana, Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa que pertencia à sua família há cerca de um século e que se tornaria o museu que hoje reconta sua história. Filha do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacita Luiza do Couto Brandão, Cora, ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto (seu nome de batismo), cursou apenas as primeiras letras com mestra Silvina e já aos 14 anos escreveu seus primeiros contos e poemas. Tragédia na Roça foi seu primeiro conto publicado.

 

            Em 1934 casou-se com o advogado Cantídio Tolentino Bretas e foi morar em Jabuticabal, interior de São Paulo, onde nasceram e foram criados seus seis filhos. Só voltou a viver em Goiás em 1956, mais de vinte anos depois de ficar viúva e já produzindo sua obra definitiva. O reencontro de Cora com a cidade e as histórias de sua formação alavancou seu espírito criativo.    

 

            Tradições e festas religiosas, a comida típica da região, as famílias e seus 'causos', tudo motivava a escritora fazer uma ponte entre o passado e presente da cidade, numa tentativa de registrar sua história e entender as mudanças. Nas suas próprias palavras: "rever, escrever e assinar os autos do Passado antes que o Tempo passe tudo ao raso". Com a mesma rica simplicidade de seus personagens, Cora fazia doces cristalizados para vender.

             Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e outras histórias mais, foi publicado em 1965, e levou Cora, aos 75 anos, finalmente a ser reconhecida como a grande porta-voz de uma realidade interiorana já afetada pelo avanço da modernidade. O poeta Carlos Drummond de Andrade, surpreendido com a obra de Cora, escreveu-lhe em 1979: "(...) Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadezadas coisas naturais (...)".


            Cora Coralina faleceu em Goiânia a 10 de abril de 1985. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.

 

duas poesias

 

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.


O Cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.



Escrito por Felicio às 09h22
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sábado musical!

um momento importante!
procure a biografia do Edu Lobo, da Marília Medalha, do grupo que acompanha, etc. vale

PONTEIO

Composição: Edu Lobo e Capinam
Interpretação: Edu Lobo e Marília Medalha

 

Era um, era dois, era cem 
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse um amor ou dinheiro

Era um, era dois, era cem
Vieram pra me perguntar:
Ô voce, de onde vai, de onde vem
Diga logo o que tem pra contar

Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem vento

Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar

Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto calado sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era morte em redor, mundo inteiro

Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não lembro de dor, nem receio
Só sabia das ondas do mar

Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se eu tomo a viola, ponteio
Meu canto não posso parar, não

Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, pontear

Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar já convém
Prometendo um novo ponteio

Certo dia que sei por inteiro
Eu espero, não vai demorar
Esse dia estou certo que vem
Diga logo que vim pra buscar

Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar pra cantar

Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, ponteio
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, pontear

Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, pontear
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, pontear
Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar



Escrito por Felicio às 12h01
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gosto

  um ótimo momento do passado

Escrito por Felicio às 11h48
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